Ensaio apressado...
De um modo sucinto, a idéia de Deus, e predominantemente a idéia cristã de Deus, tem como caráter essencial compreender a sua divindade como causa criadora e ordenadora do mundo. Aliado a isso, soma-se também a esse Deus a noção de Justo, posto que Ele é essencialmente bom. Assim colocado, é possível dizer que há em Deus uma moral para a qual o homem em geral deve obrigações ou, no mínimo, respeito. Questionar Deus, por exemplo, é sempre uma heresia: a Sua perfeição O faz ser Ser.
A bem da verdade, embora presente no cotidiano das pessoas, uma compreensão sobre Deus não se dá de modo imediato. Entretanto, para o senso comum moral, não é necessário que Deus se apresente, ou melhor, seja compreendido em sua existência de Ser: Deus apenas é. Desse modo, sem querer se desfazer dos estudos que existem sobre religiosidade e, mesmo, Deus, a compreensão da moralidade cotidiana baseada num comportamento religioso, no senso comum, pode ser, grosso modo, entendida sem muito esforço. A fé em Deus pode ser o suficiente para evitar atitudes imorais, ilegais e amorais. Assim como justificar determinados comportamentos que se fundam num entendimento de mundo baseado em textos, escrituras, passados ao longo do tempo através das mais variadas instituições, como a família, a comunidade, a religião, a igreja.
A tese que se pretende defender aqui – Deus não é civilizado – partirá de uma certa noção de Deus apreendida a partir do senso comum, enxergando nisso a produção da crença promovida pelo hábito para, assim, admitir a existência de uma intuição moral ordinária que rege o comportamento dos indivíduos em suas comunidades. Esse procedimento permitirá que o leitor leigo possa compartilhar das idéias que serão apresentadas ao longo do texto. Talvez, por conta de seu caráter ensaístico, essas reflexões não sirvam para criar descrições aproximadas da realidade em que se vive, mas podem apontar caminhos para se pensar a relação dessa realidade com ideais aspirados pelos homens ao longo de sua existência civilizada, que envolvem o indivíduo, a alteridade e a democracia – podendo ser resumido, ainda, numa palavra: ética.
O objetivo pretendido ao contrapor uma noção ordinária de Deus a concepção de civilização é de pensar uma ética ocidental que consiga promover a existência dos indivíduos nas suas relações interindividuais dentro de uma sociedade democrática. O presente trabalho pretende sugerir que noção moral comum de Deus inviabiliza a formação de uma sociedade democrática na medida em que interfere, a partir de uma abordagem antropológica, nas relações entre os indivíduos. Nesse sentido, a hipótese específica que serve de fio condutor da análise é a seguinte: a religiosidade construída, a partir de uma noção de Deus que aparece na tradição cultural do ocidente, se constitui como uma barreira para a consolidação da democracia.
parabens marcelo!!!quero bolo rsrsrsrsrsr!!!bjs
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